Perto do Coração Selvagem

"Ah, Deus, e que tudo venha e caia sobre mim, até a incompreensão de Mim mesma em certos momentos brancos, porque basta-me cumprir e então nada impedirá meu caminho até a morte-sem-medo, de qualquer luta ou descanso me levantarei forte e bela como um cavalo novo..."

terça-feira, outubro 23, 2007

Li há muitos anos, nem sei quantos, Perto do Coração Selvagem. Na época pensei que essa obra de Clarice havia modificado minha vida. Depois fui percebendo que ela apenas me revelou o momento que eu já vivia.

A geografia interior de Joana era também o caminho que eu percorria há tempos. A inquietação de estar sempre em busca de uma revelação qualquer, o hábito de analisar, e analisar e analizar, instante por instante. A vontade de romper com o conhecido, linear, fácil, e aceitar, mais que isso, ansiar pelo desconhecido e redescobrir, recolorir o desbotado e antigo. A necessidade quase intolerável de derrubar paredes, transformar padrões.

Esse processo é doloroso, inevitável, um caminho sem volta. Impossível "desaprender". Cansativo procurar respostas o tempo todo sem encontrá-las, e mesmo assim continuar buscando. De vez em quando tenho a vontade que Clarice também tinha de não entender, só o suficiente para descansar na ignorância.

E vem aquela pergunta que pessoas diferentes me fizeram em momentos e situações diversas - você nasceu assim ou foi ficando? - Penso que nasci predisposta, preparada para ir ficando ou seja, despida de pré-conceitos, a partir da idéia de que o ir ficando é o ir adiante, tentar, experimentar, inovar.
É a diferença entre o ser e o estar.
Me incomoda a imobilidade do ser. Eu só sou o que é base em mim. Em tudo o mais, estou.

Há tempos não apareço por aqui...
Tanto que quase não consegui acessar.
Muita coisa aconteceu desde meu último post.
Bom ter lembrado a senha, reler coisas de "antigamente".